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Yes, nós falamos inglês!
Por João Pedro Figueira
Obrigar a tradução de palavras de língua estrangeira para a portuguesa é, do ponto de vista legal, flagrante de inconstitucionalidade, além de ser um grande passo para trás. Trata-se da lei 5033, sancionada recentemente pelo Prefeito do Rio de Janeiro, que impõe medidas restritivas à liberdade de manifestação de pensamento. É uma medida que isola e distancia o Rio, principalmente, do aspecto de integração e, conseqüentemente, do interesse turístico. Ora, quase tão importante quanto dominar o português, é dominar, por exemplo, o inglês, idioma mais falado em todo o mundo. Considerada a língua universal, pelo fato de ser empregada na informática, na aviação, nos negócios, no turismo e em muitas outras áreas, a fluência no inglês nos permite uma interação com outras culturas e outras realidades, sejam elas sociais, políticas ou econômicas. De acordo com dados da Organização Mundial de Turismo (OMT), o setor turístico movimenta cerca de 900 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo uma das atividades de maior fonte de emprego e renda. O desenvolvimento da indústria do turismo a nível global nos últimos 15 anos, constituiu também um fator primordial na relevância crescente da aprendizagem e ensino da língua inglesa. O Brasil, em especial o Rio de Janeiro, possui grande potencial para se desenvolver nessa área. Com isso, o domínio do idioma inglês por parte dos profissionais do turismo, envolvidos direta ou indiretamente, constitui um fator fundamental, na medida em que a boa comunicação com o turista torna sua estada mais agradável. E por ter o turismo como uma de suas potencialidades, o Rio precisa sim atender às necessidades de seus visitantes. É imprescindível o Poder Público agir através da implementação de políticas públicas integradoras que permitam não apenas gerar o crescimento de turistas no Rio mas, também, o aumento de dias de permanência dos visitantes em nosso Estado. Para isso, é imperioso oferecer serviços turísticos de excelência. Em 2008, o Brasil recebeu 5 milhões e 225 mil turistas. Metade desse número - 2 milhões e 627 mil - tiveram como destino o Rio de Janeiro. Mas não apenas para visitar nossas belezas já tradicionais e sim com o intuito de conhecer nossos novos produtos, como a Cidade do Samba e o Centro de Tradicionais Nordestinas, na capital, além de municípios com perfil turístico, como Petrópolis, Teresópolis, Búzios e Angra dos Reis, dentre outras. Ou seja, o turista que hoje chega ao Estado está disposto a aproveitar todas as atividades existentes, de forma a se integrar ao dia-a-dia das cidades, exigindo maior qualificação técnica e profissional. Muitas empresas de turismo encontram dificuldades para a contratação de pessoal devido a inúmeras questões, dentre elas, a falta de conhecimento de línguas estrangeiras por parte dos candidatos. Isso nos permite concluir que dominar idiomas é um fator essencial na inserção do profissional de turismo no mercado de trabalho. O Rio é o pólo turístico destacadamente mais conhecido da América do Sul e busca se reafirmar como “Cidade Global”. A medida determinada pela lei é um revés em todo esse processo. E não custa nada lembrar: em 2014 realizaremos uma Copa do Mundo. Em 2016, temos chance de ser palco dos Jogos Olímpicos. E podemos realizar ainda mais. Para isso, temos que dotar nosso Estado de políticas públicas sérias, integradoras e conseqüentes.
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