 |
Fonte: Jornal do Brasil
Por uma política protecionista
Por João Pedro Figueira
Depois de mais de 30 anos de fusão do nosso Estado, o Rio de Janeiro ainda não conseguiu desenvolver políticas integradoras, principalmente no setor agrícola. A atividade ainda sofre com a falta de vínculo direto entre o produtor e o mercado consumidor e por não possuir uma política de proteção de suas regiões e culturas. O fenômeno da modernização agrícola, que determinou as transformações desse setor no Brasil a partir dos anos 70, não atingiu o interior de nosso Estado da mesma forma como ocorreu em outras áreas da região sudeste, como no Estado de São Paulo, por exemplo. Mas isso não significou no insucesso da atividade agrícola no Rio de Janeiro. Muito pelo contrário, apesar da falta de apoio institucional e tecnológico, hoje, a atividade no Rio é forte e precisa de apoio e coordenação.
Em determinadas épocas do ano, nosso Estado é auto-suficiente nas culturas de tomate, chuchu, quiabo, pimentão, couve-flor, banana, entre outros. Isso sem falar da forte produção de hortaliças na Região Serrana. Por outro lado, padece de produtos como alho, batata e cebola que, devido a condições climáticas adversas, não são produzidos na região e, portanto, nos torna dependente dos Estados produtores. Isso mostra que temos sim capacidade de produzir uma boa quantidade de alimentos. O que falta é estimular e valorizar a produção local.
É fato, e até redundante, dizer que o desenvolvimento do setor deve ser promovido a partir de inúmeras ações, tais como ampliação e modernização de mecanismos agrícolas, transporte adequado para as mercadorias produzidas, difusão de informações e promoção da extensão rural, educação e profissionalização dos produtores e trabalhadores rurais, além da conservação ambiental e defesa do meio ambiente. Porém, é fundamental criar regras de atuação governamental, principalmente na questão da proteção contra práticas desleais de comércio.
O produto regional deve ser valorizado de forma a evitar que mercadorias de outros Estados dominem o mercado consumidor e a Ceasa (Central de Abastecimento do Estado do Rio). Além disso, a integração deve ocorrer, principalmente, pela valorização e criação de mercados de produtores em diversos municípios - como já acontece em Tanguá, por exemplo - de forma a permitir que o produtor local tenha preferência na venda de suas mercadorias. É importante tratar de desenvolver mercados regionais de abastecimento e colocá-los na posição de facilitadores da distribuição dos alimentos produzidos.
A realidade atual deixa claro que a Ceasa não consegue proteger o agricultor, tendo, ao longo dos anos, entregue seu espaço a terceiros. Hoje, resta ao produtor contar com a sorte e com os agentes intermediários que negociam a produção agrícola. Constituída para apoiar a agricultura fluminense, a Central de Abastecimento deve dar preferência sim ao que é produzido em nosso Estado, como ocorre em Minas Gerais e no Espírito Santo, por exemplo. E, por sua vez, os consumidores precisam ser informados e ter consciência que, ao consumir um produto oriundo de nossas terras, estará contribuindo para o nosso desenvolvimento.
A grandiosidade do Rio de Janeiro deve permitir que suas regiões exerçam funções complementares - e não competitivas. Precisamos sim incorporar o sentido e o espírito protecionista e entender que, nosso Estado será forte quando a Capital, a Baixada Fluminense e o Interior tiverem políticas públicas integradoras e estruturantes.
*Publicado em 24/06/2008
|
|
 |